sexta-feira, 27 de abril de 2007

Cupido repetitivo


"Os dias não se descartam, nem se somam,
são abelhas que arderam de doçura
ou enfureceram o aguilhão:
o certame continua,
vão e vêm as viagens do mel à dor."

(Pablo Neruda)



Me lembro do dia em que descobri que estava apaixonada pelo Marcelo, meu primeiro amor platônico ( e como todo amor platônico, não correspondido).


Foi, no mínimo, estranho; estranho como tudo o que é novo. Foi há 16 anos. Eu em cima de um caminhão de leite, em plenas férias de julho na Bahia, junto com os meus pais, descobri no bolso da minha bermuda um papel de bala amassado, dessas que têm mensagem romântica. O Marcelo tinha me dado a bala dias antes.


Eu guardei o papel. O vento quase o levou durante a viagem de caminhão. Desesperada, fui à cata do papel para guardá-lo novamente. Foi aí que me dei conta: por que guardar aquele pedaço de papel insignificante? A ficha caiu...


E foi assim o início de tudo. De como comecei a descobrir o paraíso e o inferno de amar alguém...

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