segunda-feira, 5 de julho de 2010

Novos rumos


Minha vida anda assim... como dizer? Anda. Mas algumas coisas parecem começar a se encaixar. O meu curso de especialização a distância sobre educação a distância me faz desenhar o projeto de mestrado que tanto procurei, num tema que, considero, vai impulsionar a minha carreira no magistério para algo além da sala de aula tradicional. Não sei ainda onde vou parar e para ser franca, não sei se este é um início que vá ter um fim estabelecido.
Sim, estou empolgada com o curso. Finalmente encontrei um possível caminho para fugir do ostracismo profissional, para entender por que a Educação precisa mudar e principalmente, em que precisa mudar. Claro que não é um caminho fácil. Mas, pelo amor de Deus, existe alguma coisa que seja fácil nesta vida?


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os olhos mentem dia e noite a dor da gente...

Ando precisando de um respiro... Porque muitas coisas estão em mim, uma gaveta bagunçada, onde não se consegue encontrar o que se procura, até porque se desconhece o objeto da busca. O mundo pesa sobre mim,como se quisesse me esmagar. Me sinto perdida, sozinha, triste.
Não, ninguém morreu...ainda.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tentando retornar

Nossa, quanto tempo! Têm sido raras as minhas aparições aqui. Bom, mas para resumir os fatos: estou finalmente fazendo a especialização em EaD, experimentando a sensação de fazer um curso à distância. Tô gostando. Aliás, percebi que tudo o que tem a ver com educação me interessa, por mais que eu nunca quisesse admitir. Isso não quer dizer necessariamente que eu queira dar aulas a vida inteira em escola de periferia, mas já é um sinal de que gosto da área de educação. Essa constatação é surpreendente até pra mim. Mas acho que vou continuar tendo uma relação de amor e ódio com essa área sempre, não interessa o que eu faça.
O que fiz neste período de ausência? Li, ou melhor reli "Grande sertão: veredas" de Guimarães Rosa. Para mim, é de longe o melhor romance da literatura brasileira. Leitura difícil. eu sempre digo que se você conseguir passar das dez primeiras páginas, você não consegue mais parar de ler, vai até o fim. Não só pela história de amor disfarçada de amizade entre Riobaldo e Diadorim, mas pela riqueza de detalhes na descrição do grande sertão e, sobretudo, pela forma como Guimarães recria o vocabulário e a sintaxe da lingua portuguesa. Até Machado de Assis tiraria o chapéu.
O que mais fiz? Trabalhei, como sempre. Esse ano está sendo o mais tranquilo de toda a minha curta carreira de cinco anos no magistério público. Posso dizer que pela primeira vez na vida eu sinto que estou trabalhando de verdade, digo, fazendo o trabalho de professora/educadora, e não tomando conta de moleque malcriado. Tenho duas sextas séries e três turmas de EJA à noite. Por incrível que pareça, tô gostando mais de trabalhar com  a molecada da tarde do que com os adultos. As sextas séries são muito participativas e, embora barulhentas, respondem bem às atividades. Á noite houve uma mistura muito grande entre pessoas maduras e jovens adolescentes. Os conflitos entre as gerações são constantes, misturado às dificuldades na aprendizagem e aos problemas de indisciplina dos mais jovens. Nessa escola, parece que a EJA não tem o devido valor como tem o ensino regular. Mas isso é coisa para se discutir depois.
Eu pretendia escrever pouco, mas para variar não consigo ser concisa quando o assunto é escrever. Sou prolixa por natureza. Volto quando puder.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O preconceito nosso de cada dia



Conversa entre uma professora e o inspetor de alunos na sala dos professores. Eu, só escutando:
- Tava dando aula  no quarto termo, e tem uma menina lá, ela tava nervosa, dizendo que tava estressada, é a T... - comentário da professora.
- Ah, sei quem é! - inspetor responde.
- Então, eu disse: "fica calma, o amor resolve tudo". Aí um aluno, do nada, disse assim: " professora, ela não gosta de homem, ela gosta de mulher!" Na hora, fiquei sem ação. O aluno viu que fiz cara de espanto e emendou: "É verdade, professora".
- Mas é mesmo, ela é. - confirma o inspetor.
- POXA, MAS ELA É TÃO BONITA! - comenta a professora, que, inconscientemente, toma como pressuposto que para ser lésbica, a mulher precisa ser feia.
E o último comentário do inspetor, fazendo cara de nojo:
- ECA! JÁ ACHO NOJENTO HOMEM COM HOMEM, QUANTO MAIS MULHER COM MULHER.

Depois dessa, entendi por que Marcelo Dourado foi o campeão do BBB10 com 60% dos votos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Insônia


Chego da escola num estresse indesejável. O mau-humor está impregnado em mim. Penso: preciso de algo que me faça rir. O riso dissipa o mau-humor. O riso espontâneo, aquele que só uma criança sabe como dar. O riso dissipa o mau-humor. Mas acho que não estava só mal-humorada. Me senti como me sentia o ano passado: como se todos o problemas das pessoas estivessem nas minhas mãos e elas quisessem que eu, somente eu, os resolvesse. A mesma impotência, a mesma sensação de insegurança seguida de raiva, angústia atroz.

A Sil, pegada numa dor de garganta, estava ensimesmada, assistindo a mais um viciante capítulo do BBB em noite de paredão. Eu quieta, porque se disser algo não será com delicadeza, e ela não tem culpa se o peso que carrego está insustentável nesse momento.

Vou me deitar e só consigo pensar no que não devo pensar. Rolo na cama, desrolo na cama. Resolvo me levantar, ir para a sala e ler um livro. O livro me distrai, mas não me faz rir, como inicialmente desejava, até porque não era para fazer rir mesmo: o livro é um relato de um ex-prisioneiro do holocausto. Mesmo assim, o relato me distrai e, por um momento, faz com que eu agradeça pelo que tenho, pelo que sou, já que o sofrimento testemunhado pelo autor parece cruel demais para estar relacionado a seres humanos.

Finalmente me sinto cansada o suficiente para ir para a cama, deitar e dormir. Pisando em ovos para não acordar a Sil, que tem um sono muito leve, entro no quarto e me deito. Não demora muito e adormeço. Uma parte do sono é alívio, outra parte é delírio, e eu acordo de manhã com a sensação de que não dormi o suficiente.

Outras noites assim virão?